sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Egocósmico


Não acredito muito em passado e futuro. A única coisa que existe é o agora, o presente, e às vezes penso que o presente só existe se eu existir também. No momento em que eu morrer, a vida deixa de existir não só para mim, mas para o mundo que conheço, porque o mundo que conheço faz parte de mim e da minha vida. Como tudo o que existisse, só existisse porque eu existo, eu sou parte do todo e o todo é parte de mim. Por isso, tu que me estás a ler és uma continuação da minha pessoa e só existes porque eu existo também e enquanto eu existir. É como um livro que lês: eu sou a personagem principal e tu és apenas um figurante que se cruza na minha história.

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

A Aproximação

Às vezes é difícil perceber se estou vivo ou morto, tal é o estado de apatia em que me encontro na vida. No entanto, a morte assusta-me profundamente por causa da ausência de conhecimento que temos acerca dela, e todos nós vamos ter de experimentar um dia o seu gosto. Eu queria que ela estivesse bem longe, mas está mais próxima a cada segundo que passa. Gostava de viver em pleno, em luz, longe da morte, num dia ou numa noite plenos.

quinta-feira, 2 de outubro de 2025

Fragmento de ti


Uma coisa que muitas vezes me atormenta e me faz pensar é que, por vezes, não sei se te amo ou se amo a imagem que construí de ti. Afinal, o que é amar-te?

Será que te vejo como és realmente, ou será que me apaixonei por um momento de ti que já não existe e se perdeu no tempo?

domingo, 14 de setembro de 2025

Alienígena


Sinto-me um alienígena alheado da sua realidade, vivendo numa bolha de ilusão, prestes a explodir para uma ficção real que consome todo o mortal. No entanto, sou feliz mesmo enfrentando pesadelos diários que assolam a minha consciência. Um grito em silencio, riu do infortúnio que me foi atribuído pelo meu olhar de menino sobre a sombra do assassino.


quinta-feira, 14 de agosto de 2025

A Mensagem

A mensagem esta escrita na carta que esta selada. Não há mais nada a fazer senão esperar que os teus olhos a vão ler. Agora resta aguardar o que o destino irá traçar.

E até lá o coração palpita na esperança de ouvir uma palavra que pela tua boca seja dita ou pela tua mão escrita.

segunda-feira, 14 de julho de 2025

Super-Homem


Era uma vez um rapaz que queria ser o Super-Homem.
Foi para a escola estudar e disseram-lhe que não havia problema,
desde que entrasse no sistema.
Mas o Super-Homem tardava em chegar,
as horas deram lugar aos dias,
e os dias deram lugar aos anos,
e o rapaz nunca viu o Super-Homem.

O Super-Homem fugiu
o rapaz ficou cheio de frio,
porque o seu herói bazou
no momento em que o sistema chegou.

Super, Super-Homem,
volta para mim.
Super, Super-Homem,
vamos derrubar o sistema,
vais ver que vale a pena.

 Super, Super-Homem.

sábado, 14 de junho de 2025

Férias

Não tenho mais nada para fazer
Não tenho mais nada para dizer
Vou levantar-me, picar o ponto
Vou sair daqui para fora
Fim de semana, está na hora
Férias à porta
Vou-me embora

Bem-vindo, meu irmão
Como tive saudades tuas
Vamos lá gozar
O descanso está a chegar

Vou pôr-me de papo para o ar
Apanhar sol, nadar um pouco
Beber uma cerveja, comer uma sardinha
É tempo de descansar
Bem-vindo ao meu recanto
Que me liberta a alma e dá-me força
Para mais um ano de escuridão
Estúpido trabalho do ganhar o pão

                                                                                                                                                                             Férias, bem-vindas

quarta-feira, 14 de maio de 2025

Caga-catos

Ontem vi-te passar com o teu novo amor,
era um caga-catos como eu fui — tão parecido, como eu fui .
Confesso que me ri,
e tive pena dele.

Com o teu fraco gosto, vivi eu mal, meu bem.
Agora resta-me cantar bem alto:
não sou um caga-catos como tu.
Sou um rei na multidão.
A solidão é a minha rainha...

Até tu apareceres no meu mundo, devagar,
como uma lufada de um novo ar.

Amor.

segunda-feira, 14 de abril de 2025

Talvez uma palavra

Talvez uma palavra
Essa palavra que trazes no doce peito,
e que conquista o meu respeito,
e que tardas em dizer.

Eu quero ouvir a tua pronúncia,
que me faz falta escutar,
o teu lindo cantar
sobre o rouxinol
ou a canção do anzol,

a chamar por mim,
sempre a chamar por mim.

E eu aqui, ao pé de ti,
sorrindo-te nos olhos,
pronto para te dizer:

que te amo sem pensar
no que me possa acontecer.
Não ficar contigo
não é viver.


Vem, vem ter comigo,
mostra-me o piercing do teu umbigo,
sem pudor ou rancor.
Dá-me a cor do teu amor.


 

sexta-feira, 14 de março de 2025

Partir

Esta cidade não tem nada para nos oferecer.
Vamos dar os últimos passos nela, vamos desaparecer.
Bater com a porta, correr,
partir ao amanhecer,
sem nunca olhar para trás.
Não digas que não és capaz
de te libertares do teu mundo
em rumo ao horizonte profundo.


Pela estrada a acelerar,
com o carro a derrapar.

Vamos partir, vamos esquecer.
Novos mundos vão-se abrir
para ti, que estás a sorrir.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

A Filha da Deusa

Foste-te apaixonar
por esse pecado a andar,
aquela que surgiu
do paraíso no meio do frio.

A filha da Deusa,
com o seu doce olhar,
escreveu-te uma canção
que te acertou no fundo do teu coração.

A filha da Deusa,
tu, pobre mortal,
foste o prato principal
dessa criatura do mal.

A filha da Deusa.

terça-feira, 14 de janeiro de 2025

Comprimido

(Tomei) larguei o comprimido
que me mantém preso no labirinto
da vida das nove às cinco.

Sou um robô dos senhores,
estou na vila da solidão,
a lutar anarquicamente
para ganhar para o pão.

Acorda-me, solta-me o laço que trago ao peito,
abre os cordões da tua bolsa, dá-me o teu leito.

Criminoso social,
governas-me mal,
fazes-me mal,
criminoso social.